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Pedro e as letras

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Dia desses, estávamos eu e Anderson Andrade – meu amigo desde 1735 – ao telefone a falar das coisas da vida, rock n’ roll, futebol e filhos.
Diante de minha pergunta sobre o seu caçula Pedro, senti a voz do amigo envolta em ondas de tamanho orgulho, que temi pela obstrução da rede de canais de fibra ópticas da companhia telefônica.
Contava-me que, do topo dos seus cinco anos, Pedro está iniciando o processo de alfabetização com relativo sucesso e entusiasmo. Reconhece o pai, que tal empenho filial se deve à necessidade premente de conquista de independência na vida desse cidadão mirim; característica esta, muito presente em sua personalidade.
Pressente que a cena em que o miúdo se aproxima com o velho e surrado livrinho de história infantil, já sabida e decorada por ambos, acompanhada da frase:- “Pai, lê pra mim!!!” em breve, estará apenas em sua memória.
E agora? Qual pergunta com ar de sentença capital irá desafiar seu cansaço diário?
Pois é, meu amigo… o tempo abrindo e fechando novas e velhas portas.
Fiquei a pensar… o processo de alfabetização não consiste apenas na decodificação de letras, símbolos e números. A isto chamamos “ler e escrever”. O que vem depois é mágico.
A utilização do “ler e escrever” de forma interpretativa que leva ao letramento.
Ou seja, em breve, Pedro e outros de sua turma serão letrados.
Virão provas, entendimento de texto, análise sintática, gramática.
Um segundo idioma muito provavelmente…
Machado de Assis, Carlos Drummond, Sófocles… (Olha o vestibular, meu filho…estuda!!!!)
J.K. Rowling, Paulo Coelho ou Thalita Rebouças… porque ninguém é de ferro!
Mais tarde, possuirão CPF, CNH, RG. Importantes, necessários e só.
Talvez esqueçam a importância que hoje têm o algarismo 2 ou as sílabas BA, CA ou DO.
O tempo…
Mas a crença nesse amor que hoje se manifesta em Pedro e sua turma pelas letras, sílabas e histórias é a mesma crença que tenho, neste instante, em que escolho as palavras para redigir esta crônica.

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Quando aprendemos a amar?

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O mal deste século talvez seja a solidão.
Tudo agora é single, é um dormitório, é porção individual.
Tenho esperança nos casais. Vejo vestibulandos ao romance proliferar nas redes.
Marina, 15 anos e habitante do facebook posta mensagens de amor entremeadas de fdp e pqp e mais um tal de huashuashuas. Tá valendo! É a linguagem que sua geração utiliza, na ferramenta que curtem e falar de amor é melhor que falar de química ou geografia.
Lembro-me de meninas de minha geração que folheavam suspirando as finadas Grande Hotel e Sétimo Céu. Tais publicações continham fotonovelas, chamadas de forma de literatura sentimental fabricada para milhões. Coisa de sociólogo chato vestido de bata de saco e cabelão. Galãs e divas fotogênicos, ilustrando romances adocicados cujos desfechos na última foto era um beijão, agradavam e muito.
Mais tarde, trovas e estrofes poéticas envoltas por um coração flechado, viravam adesivos nas embalagens das gotas de pinho Alabarda.
Meninas e meninos da 4.a série A impregnavam seus cadernos com os colantes. Bocas frescas e corações em chamas…hoje entendo bem qual era a desse doce.
Depois veio aquele casalzinho nudista e cabeçudo do álbum de figurinhas Amar é…Febre! Um concurso para criacão de frases que definissem o amor premiava com um Fiat Uno, televisores Gradiente e aparelhos 3 em 1.
No clássico Love Story ouvi a linda Ali Macgraw dizer a Ryan O’Neal que “amar é jamais ter que pedir perdão”. Acreditei. Por algum tempo..
E assim tem sido…
Vez ou outra pinta uma balinha cuja embalagem traz uma menção amorosa.
Quero que tudo isso permaneça.
Só tenho um pequeno pedido. Simples mas meu no tocante ao amor.
Quem nos ensinasse a amar, por favor, jamais deixe de nos ensinar a esquecer.

Meninos do condomínio

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Dia desses no matutino Redação SporTV, o apresentador gente boa André Rizek, foi “trollado” pelo comentarista Renato Mauricio Prado – aquele mesmo, remember Galvão Bueno – pelo seu total desconhecimento sobre pipas e suas peculiares manobras denominadas “debiques”.
Qualquer meninão de rua conjugou o verbo debicar na primeira pessoa um milhão de vezes. André, não.
A “trollagem” ainda se estendeu quando Renato afirmou que o jovem jamais teria rodado pião ou jogado bolas de gude.
– Bola ou búlica? – perguntou Renato; e André, com cara de dois de paus, impassivo. Pobre garotão bem nascido que jamais se sujou de terra.
A leveza do assunto e o bom humor de André conduziram o tema para um final anti-galvão, ou seja, boas risadas entre amigos…
Mas esse mesmo bom menino tem dado voz a uma campanha que
faria Nelson Rodrigues corar.
André Rizek, com o auxílio e coro de meia-dúzia de meninos criados pela avó, instituiu o troféu Alberto Roberto, personagem do genial Chico Anysio que parodia o ator canastrão e sem recursos. Tal “prêmio” será entregue ao jogador de futebol que for flagrado pelas inúmeras câmeras de TV que cobrem uma partida de futebol, simulando uma falta, induzindo um árbrito ao erro, valorizando a marcação de uma penalidade na tentativa de um cartão ao infrator.
Meu Deus!!!! A chatice do politicamente correto invadindo o campo de futebol, templo sagrado da boa malandragem, da molecagem e do improviso.
A regra não pune a simulação.
Criar um troféu que visa inibir um recurso do jogador de futebol, tornando-o um burocrata, jamais poderia ser iniciativa de um jornalista esportivo.
O centenário Nelson disse: “Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos”.
No futebol de hoje, não haveria lugar para Nilton Santos.
Garrincha seria acusado de desrespeitar outros profissionais.
Para delírio dos meninos do condomínio.

Bem-vindos

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Olá,

Entre e fique à vontade! Este blog de crônicas e poesias  foi criado na data comemorativa do centenário do nascimento de Nelson Rodrigues. Longe de qualquer pretensão, ninguém mais apropriado para “apadrinhar”  um blog que busca provocar, divertir, emocionar e outras sensações que o mundo da palavra escrita pode proporcionar.

Assim, termino esta pequena apresentação com uma frase do padrinho Nelson que diz: “DEUS ESTÁ NAS COINCIDÊNCIAS”.

Amém.